Adubação inteligente no cultivo de batata

 Adubação inteligente no cultivo de batata

 

A utilização de fertilizantes na cultura da batata é um fator preponderante para se conseguir altas produtividades. Essa condição é atendida com eficiência ainda maior em se tratando dos fertilizantes de liberação controlada e inteligente

 

A busca pela biodiversidade de recursos genéticos e bioquímicos que possam ser transformados em produtos comercializáveis tem sido desenvolvida há várias décadas. Entretanto, os países detentores de tecnologias geralmente são pobres em biodiversidade e, dessa forma, lança-se mão de espécies da biodiversidade de regiões em desenvolvimento.

Assim, entender o solo como um sistema é atualmente o grande desafio da ciência do solo, e a busca por sistemas sustentáveis de produção, especialmente envolvendo a cultura da batata, exige planejamento para que se alcance o maior aproveitamento possível dos fertilizantes.

Diante disso, o engenheiro agrônomo Alexandre Souza Tanaka diz que o uso de fertilizantes de liberação lenta e controlada pode ser vantajoso no processo de cultivo da batata. O excesso de nutrientes como o nitrogênio (N) pode causar doenças que seriam minimizadas com o uso dessa técnica no manejo e na melhoria de qualidade dos tubérculos.

 

Por que usar

 

A batata é uma das culturas que mais leva adubo de base, usando de três a cinco toneladas do produto por hectare. “Uma vez que se tenham os principais salinizados protegidos, logicamente haverá uma diminuição da queima da batata, diminuição da entrada de doenças e fungos e bactérias, no caso da sarna. Então, na verdade, a tecnologia está viabilizando e potencializando todo o processo, pois pela quantidade de adubo que é utilizado na batata, provavelmente haverá um benefício muito grande em termos de não salinização do tubérculo quando ele for plantado”, esclarece Mário Sérgio Zanotto, engenheiro agrônomo, empresário e consultor agronômico, quanto aos resultados satisfatórios obtidos na batata.

Na região do Triângulo Mineiro, por exemplo, toda a batata plantada utiliza alta tecnologia, visando sempre altas produtividades. Isso porque esta é uma cultura sensível ao ataque de fungos e doenças e existe sempre o equilíbrio de nutrição e sanidade. “A planta bem nutrida terá uma sanidade superior à não nutrida, e essa nutrição de forma protegida vi favorecer muito o desenvolvimento da cultura”, considera.

 

Quando e como aplicar

 

Na batata a aplicação de fertilizantes de liberação gradativa compensa, com balanço custo-benefício positivo, segundo Mário Sérgio, principalmente pela quantidade utilizada no plantio. “A aplicação normalmente é feita no plantio e também na cobertura, visando evitar a queima e a perda dos nutrientes, até porque a batata é uma cultura que exige alta concentração de NPK e outros micros”, destaca.

A adubação da batata com nutrientes convencionais acontece com a aplicação de três a cinco toneladas por hectare. Em proporção, haverá um impacto significativo em termos de diminuição de quantidade pela fonte fornecedora e pela produtividade obtida, ou seja, a redução de 15 a 30% da quantidade do produto aplicado, mas a quantidade de nutriente fornecido seria a mesma.

A batata também é uma planta muito suscetível ao ataque de pragas e doenças e qualquer leão causada à folha ou a raiz é uma porta de entrada para fungos e bactérias. Assim, essa diminuição de queima com produtos que estão protegidos fica bem melhor.

 

Produtividade acelerada

 

A produtividade da lavoura de batata que usa fertilizante de liberação controlada é em torno de 10 a 15% a mais, segundo Mário Sérgio, o que é comprovado por pesquisas, que mostram que a planta se satisfaz de uma forma melhor e num momento mais oportuno.

 

Planejamento é fundamental

 

A busca por sistemas sustentáveis de produção, especialmente envolvendo a cultura da batata, torna necessário um planejamento para obter o maior aproveitamento possível dos fertilizantes, como já dito por Alexandre Souza.

Entretanto, o agrônomo considera que, quando a planta absorve somente aquilo que precisa, certamente será mais saudável. “Por isso, a fertilização com adubos convencionais no início do ciclo promove uma absorção excessiva, com o crescimento da parte aérea maior do que o previsto. Com isso, há o desperdício de nutrientes que seriam importantes em outras fases”, ressalta.

O resultado disso é uma lavoura mais sujeita à pressão de doenças, principalmente aquelas causadas por bactérias (Pectobacterium). Isso acarreta sérios prejuízos de produtividade e qualidade dos tubérculos às lavouras brasileiras.

Sendo assim, Alexandre aponta o fornecimento dos elementos de forma gradativa, em que são verificados menos problemas com doenças. No terço final do ciclo vegetativo, a planta terá elementos disponíveis para atingir o potencial produtivo da variedade.

Alexandre Souza afirma que não há segredo para a utilização dos fertilizantes de liberação controlada e inteligente. “É necessária, apenas, a sua substituição ao método convencional, sendo que a redução da quantidade aplicada deve ser gradativa para que não haja surpresas na colheita. No mercado nacional, estão disponíveis vários produtos de diversas marcas de fertilizantes de liberação lenta, devendo ser observado o cultivar e a sua exigência nutricional”, ensina.

(REVISTA CAMPO E NEGÓCIOS. Uberlãndia: , Ano VIII, n. 91, dez. 2012.)

 

 

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