Calagem no sistema plantio direto x convencional

 Manejo da calagem no sistema plantio direto x convencional

 

José Eloir Denardin

Engenheiro Agrônomo

Doutor em Solos e Nutrição de Plantas

Pesquisador em Manejo e Conservação do Solo e da Água na Embrapa Trigo

 

A diferenciação do processo de calagem entre preparo convencional de solo e sistema plantio direto é relativamente complexa, pois depende das condições da área a ser corrigida e de critérios associados a parâmetros químicos do solo.

Em área manejada sob preparo convencional o calcário é incorporado ao solo mediante aração e gradagem. Para doses inferiores a 5 t/ha a incorporação do calcário ao solo deve ser realizada pela seguinte seqüência de operações: gradagem + aração + gradagem. Para quantidades de calcário superiores a 5 t/ha, é indicado aplicar metade da dose e arar o solo. A seguir, aplicar o restante da dose, arar novamente o solo e completar a incorporação com uma gradagem.

Em área manejada sob sistema plantio direto o processo de aplicação de calcário depende da condição da lavoura. Em área com solo de elevada acidez, antes de ser submetida ao sistema plantio direto, a calagem deve ser efetuada seguindo as indicações para preparo convencional. E, em área com solo de baixa acidez ou sob sistema plantio direto consolidado (> 5 anos), a calagem dispensa o processo de incorporação.

A diferenciação dos processos de calagem entre preparo convencional e sistema plantio direto está associada, fundamentalmente, às condições de manejo de solo futuro e/ou de estrutura do solo.

Em área manejada sob preparo convencional, em razão do preparo de solo constituir operação sistemática, a incorporação do calcário ao solo é uma prática óbvia. Em área com solo de elevada acidez, antes de ser submetida ao sistema plantio direto, a calagem deve ser processada com incorporação de calcário, pois constitui derradeira oportunidade para corrigir o pH do solo e minimizar o efeito de elementos tóxicos (alumínio e manganês trocáveis) na camada de 0 a 20 cm de profundidade. Em área com solo de baixa acidez ou sob sistema plantio direto consolidado (> 5 anos), é presumido que o efeito da calagem decorra da incorporação parcial do calcário na camada superficial, mediante ação de semeadoras, e pela movimentação do calcário através de macroporos do solo produzidos pelas raízes das plantas e pela fauna do solo ou gerados pela estruturação do mesmo.

O manejo da calagem em áreas manejadas sob sistema plantio direto é fundamentado na amostragem de solo, nas condições da lavoura a ser corrigida e em parâmetros químicos do solo.

Em área com solo de elevada acidez, antes de ser submetida ao sistema plantio direto:

a) O solo é amostrado na camada de 0 a 20 cm de profundidade;

b) A calagem é indicada apenas quando o solo apresentar pH inferior a 6,0 e a saturação por bases for inferior a 80% e

c) A calagem é processada mediante incorporação do calcário ao solo.

Em área com solo de baixa acidez ou sob sistema plantio direto consolidado (> 5 anos):

a) O solo é amostrado na camada de 0 a 10 cm de profundidade;

b) A calagem é indicada apenas quando o solo apresentar pH inferior a 5,5 e a saturação por bases for inferior a 65%. Quando apenas um desses dois critérios for atendido, não aplicar calcário se a saturação por alumínio for menor do que 10% e o teor de fósforo for “muito alto” e

c) A calagem é processada sem incorporação do calcário ao solo.

 

Quanto usar

 

A dosagem de calcário a ser indicada para um determinado solo, independentemente do sistema de manejo, pode ser determinada por vários métodos. Nos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, são empregados três métodos: método da acidez potencial do solo, que é expressa pelo Índice SMP; método da matéria orgânica e do alumínio trocável do solo e método da saturação por bases. O método mais empregado é o Índice SMP, no entanto, para solos manejados sob sistema plantio direto e áreas submetidas a rotações de culturas, o método da saturação por bases pode ser usado com vantagens.

Com base nessas circunstâncias, a dose de calcário indicada para um determinado solo independe do sistema de manejo de solo. Contudo, para áreas manejadas sob sistema plantio direto consolidado (> 5 anos), a dose de calcário indicada é reduzida pela metade, em razão da determinação estar fundamentada em amostras coletadas na camada de 0 a 10 cm de profundidade e não na camada de 0 a 20 cm de profundidade.

Um dos mais relevantes problemas que ocorrem no processo de calagem, independentemente do sistema de manejo de solo, é desuniformidade de distribuição do calcário por unidade de área. Esse problema decorre da qualidade do equipamento distribuidor, do teor de água e da granulometria do calcário.

Outro aspecto de grande importância é o uso sistemático, excessivo e abusivo da calagem. Essa prática promove problemas químicos e físicos de solo. Quimicamente, ocorre desequilíbrio de nutrientes no solo, induzindo nas plantas deficiência de certos elementos nutricionais e toxidez por outros, que, normalmente, resultam em investimentos em fertilizantes que seriam plenamente desnecessários. Fisicamente, ocorre degradação da estrutura do solo, com conseqüente compactação do solo. A compactação do solo é perceptível pela redução da porosidade do solo, aumento da densidade do mesmo, aumento da resistência do solo à penetração, limitação do aprofundamento de raízes no perfil, redução da taxa de infiltração de água no solo e da disponibilidade de água às plantas, aumento da enxurrada, ocorrência de erosão hídrica, perdas econômicas, poluição ambiental, entre outros.

 

(REVISTA CAMPO E NEGÓCIOS. Uberlãndia: , Ano X, n. 120, fev. 2013.)

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